{"id":11736,"date":"2026-07-28T13:20:47","date_gmt":"2026-07-28T18:20:47","guid":{"rendered":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/?p=11736"},"modified":"2026-07-28T14:11:54","modified_gmt":"2026-07-28T19:11:54","slug":"hoje-brasilierei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/blog\/hoje-brasilierei","title":{"rendered":"Hoje, \u201cBrasilierei\u201d!"},"content":{"rendered":"<p><b>Alvaro Esteves<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando a gente se depara com o t\u00edtulo \u201cBrasileir\u00f4u\u201d &#8211; e com a bel\u00edssima capa \u201ctropical\u201d do disco &#8211;\u00a0 a tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 imaginar um \u00e1lbum que retrata o Brasil de maneira literal.\u00a0 Mas Frederico Forte, o Frederico 7, segue por outro caminho. Seu novo trabalho \u00e9 uma obra, acima de tudo, original, que toma a cultura brasileira como ponto de partida para refletir sobre quest\u00f5es universais. E n\u00e3o trazer um \u201cBrasil cart\u00e3o-postal\u201d de forma documental ou folcl\u00f3rica, neste caso, \u00e9 uma \u00f3tima not\u00edcia.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nada neste disco \u00e9 banal: as composi\u00e7\u00f5es, diversas e surpreendentes; as letras, inspiradas; os arranjos, ricos e inventivos.\u00a0 Claro que a ginga brasileira est\u00e1 presente. Boa parte das m\u00fasicas encontra, na batida do samba, o seu territ\u00f3rio. Mas, ao longo da viagem, as melodias buscam outras vertentes: um xaxado bem nordestino que de repente vira rock; uma levada meio latina visita deuses africanos; um pop incidental, mas sempre elegante. E tudo termina com um viol\u00e3o solo perfeitamente integrado \u00e0 voz, que desemboca nas ondas do mar, na faixa de despedida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As letras n\u00e3o fazem por menos. Na po\u00e9tica de Frederico &#8211; em portugu\u00eas, ingl\u00eas ou espanhol- a natureza n\u00e3o \u00e9 apenas paisagem; \u00e9 promessa de renova\u00e7\u00e3o, seja na grande floresta, no alto da goiabeira ou numa simples flor amarela. O amor n\u00e3o se reduz ao desejo; transforma-se em perman\u00eancia \u2014 no afeto, no encontro, no chamego. A ancestralidade n\u00e3o \u00e9 algo distante; manifesta-se na evoca\u00e7\u00e3o de Oxumar\u00e9, Tatewari e Obatal\u00e1. O estar em movimento n\u00e3o \u00e9 incidental; \u00e9 constante, no caminhar, na travessia, no transmutar, no renascer. A espiritualidade, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 fuga do mundo; \u00e9 uma experi\u00eancia de reconcilia\u00e7\u00e3o com a vida, a ora\u00e7\u00e3o silenciosa de um pai, um convite \u00e0 esperan\u00e7a, \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o do tempo e \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o da beleza do instante. Sua obra aproxima Drummond de Xang\u00f4, Pindorama da bossa nova, o Atol das Rocas do sof\u00e1 da sala e o sagrado do cotidiano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo isso emoldurado por arranjos igualmente instigantes, que v\u00e3o dando contextos a cada can\u00e7\u00e3o e criando texturas. O belo naipe de cordas, os sopros seguros, os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">backing vocals<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> sempre a servi\u00e7o das narrativas e, sobretudo, a riqueza da percuss\u00e3o, valorizam a base instrumental e a voz de Frederico. Tudo \u00e9 bem dosado, para criar paisagens sonoras e construir diferentes atmosferas, que alternam o dram\u00e1tico, o sensual, o l\u00edrico.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Frederico canta com maturidade e seguran\u00e7a. Sua interpreta\u00e7\u00e3o surpreende a cada momento, e nos ajuda, faixa ap\u00f3s faixa, a decifrar o verdadeiro caleidosc\u00f3pio de ideias, evoca\u00e7\u00f5es e sentimentos de cada can\u00e7\u00e3o.\u00a0 Percebo influ\u00eancias?\u00a0 Certamente. Quem n\u00e3o as tem? A temporada vivida pelo M\u00e9xico, por exemplo, n\u00e3o passou em branco. Assim como t\u00eanues ecos de Gil, Milton, Djavan e, principalmente, Lenine, aqui e ali. Tudo valorizando a personalidade marcante do int\u00e9rprete.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enfim, \u00e9 um disco sofisticado, sem ser pretencioso; \u00e9 brasileiro, sem ser ufanista. Num cen\u00e1rio musical dominado por platitudes, \u00e9 uma raridade que foge do lugar comum.\u00a0 Muito mais do que uma cole\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es, \u00e9 um conjunto coerente, pensado como uma obra completa. As faixas conversam entre si, compartilham um mesmo universo simb\u00f3lico e constroem, de ponta a ponta, uma vis\u00e3o de vida, na qual natureza, ancestralidade, amor, humor e identidade brasileira dialogam continuamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim das contas,\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Brasileir\u00f4u<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0n\u00e3o nos ensina apenas um novo verbo. Depois de ouvi-lo, a gente percebe que &#8220;brasileirar&#8221; talvez seja menos um lugar de origem do que uma maneira de olhar o mundo.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alvaro Esteves Quando a gente se depara com o t\u00edtulo \u201cBrasileir\u00f4u\u201d &#8211; e com a bel\u00edssima capa \u201ctropical\u201d do disco &#8211;\u00a0 a tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 imaginar um \u00e1lbum que retrata o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11738,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-11736","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11736"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11736\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11737,"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11736\/revisions\/11737"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11738"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturabrasilaustin.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}